Psicóloga fala sobre a importância do debate sobre suicídio

Todos os anos, 800 mil pessoas tiram a própria vida em todo mundo

 

O “Setembro Amarelo” é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é lembrado no dia 10/9.

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Os principais fatores que levam uma pessoa a tirar a própria vida estão relacionados à fragilidade emocional; a situações de crise. “Nestes casos parece não haver saída ou possibilidade de melhora da dor emocional, geralmente relacionada a situações de perda diversas, estresse prolongado sem acompanhamento ou aos transtornos de humor como a depressão, em um nível mais intenso. Tais estados emocionais desencadeiam pensamentos de morte na intenção de acabar com o sofrimento, muitas vezes insuportável”, explica a psicóloga Amsha Carvalho.

De acordo com a especialista, normalmente ao se perceber em situação de fragilidade ou crise emocional é comum que o indivíduo receba críticas ou tenha sua fala e experiências ignoradas ou desvalorizadas. “A literatura indica que o espaço para fala é fundamental. E para que exista espaço de fala é essencial que se reconheçam as emoções como inerentes a nossa experiência de vida. Que temos o direito de estar mal e que temos o direito de buscar apoio e de nos sentirmos confortáveis com isso. Sem pressões ou julgamentos".

Como identificar

Antigamente se acreditava que o suicídio acontece repentinamente, numa ação impensada, mas não é assim. Normalmente as pessoas em estado de sofrimento tendem a deixar sinais. “O comportamento é diferente, algumas vezes se afastam, falam menos, evitam contato frequentes. Apresentam a fragilidade por meio de sinais que muitas vezes são ignorados ou minimizados pelas pessoas ao redor e familiares. O suicídio sempre é precedido de sinais verbais ou comportamentais que indicam um estado de desesperança, sofrimento e ideias de morte”, alerta a especialista.

Família e amigos

Para a psicóloga, ter o apoio das pessoas mais próximas é fundamental, pois elas podem ser excelentes ouvintes e auxiliar na minimização do desconforto emocional. “A dinâmica familiar pode influenciar essa condição. Famílias que apresentam relações disfuncionais, com pouco espaço para diálogo e padrões rígidos de comportamento também podem colaborar para estado maior de sofrimento”. Portanto, diálogo, acompanhamento familiar e profissional fazem parte do processo de recuperação.

Debates sobre o tema

A Organização Mundial de Sáude (OMS) divulgou algumas orientações que devem ser seguidas pelos veículos de comunicação no momento de transmitir fatos sobre suicídio. As ações são fundamentais para uma informação coerente, evitando também o efeito "Werther", quando o número de suicídios é maior após a morte de alguém famoso ou de uma ocorrência amplamente divulgada.

  • Evitar glorificar ou romantizar o ato do suicídio;
  • Evitar incluir o método, local ou detalhes da pessoa que faleceu e limitar as informações aos fatos que o público precisa saber;
  • Evitar retratar o suicídio como uma resposta aceitável às adversidades da vida.

É importante discutir educação emocional e possíveis transtornos que podem levar ao suicídio. Escolas, ambiente de trabalho e mídia em geral são ótimos canais, porém precisam adotar um viés preventivo e acolhedor e não apenas alarmante ou pontual. Cada pessoa vive suas emoções de uma maneira diferente. Vivenciar estas fases da vida e lidar com as emoções significa se adaptar. É uma condição que depende da estrutura emocional, vivência pessoal, valores e subjetividade de cada experiência.

“Para uma pessoa que briga com um irmão e não consegue evitar o conflito, o sofrimento pode ser intenso, difícil de conviver. Para outra pessoa a situação pode ser entendida como algo difícil, mas que pode ser ignorado ou entendido como passageiro. As situações são variadas, a perda de um emprego, uma condição financeira difícil ou que mudou repentinamente, a perda de um familiar”, conclui Amsha Carvalho.

Falar de prevenção significa falar da possibilidade de ressignificação das experiências. É possível conviver com situações traumáticas ou difíceis do passado quando, no seu tempo, o indivíduo se torna capaz de retomar e/ou desenvolver novos relacionamentos e interesses. Portanto, com acompanhamento e informações adequadas, é possível compreender e vislumbrar novas possibilidades; desenvolver experiências de superação; pensamentos e atividades mais funcionais que possibilitem e levem a novos projetos de vida.

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